O Laboratório de Computação Paralela (LCP) da COPPE/UFRJ foi criado em 1985; atualmente, é denominado COMPASSO (Computação Paralela e Sistemas Móveis). Durante 1988-93, a equipe do COMPASSO desenvolveu o protótipo do primeiro computador paralelo nacional (NCP I), com arquitetura de memória distribuída. O NCP I foi construído com 16 nós microprocessadores Transputer de 32 bits (Inmos Ltd) e utilizado nos anos seguintes em aplicações paralelas da Engenharia por diversos pesquisadores da COPPE. Esse resultado colocou o Brasil no seleto grupo que demonstrou domínio tecnológico para desenvolver seu próprio sistema computacional de alto desempenho, fomentando sua independência tecnológica, como ressaltado pelo NY Times em agosto de 1990.
Professor Claudio Luis de Amorim apresentando o NCP-I. Fonte: Jornal do Comércio, 6 de abril de 1990.
Texto do NY Times que coloca o Brasil com o NCP-I no restrito grupo que domina o desenvolvimento de supercomputadores no começo dos anos 90. Fonte: New York Times, 21 de agosto de 1990.
Em 1991, a COPPE, através de contrato com o Departamento de Exploração Sísmica/PETROBRAS, treinou engenheiros na nascente tecnologia de processamento paralelo utilizando o NCP I. De 1994 a 2000, o COMPASSO desenvolveu o computador paralelo NCP 2 , que estendeu a arquitetura do NCP-I com um novo suporte em hardware para arquitetura de memória compartilhada distribuída, e ampliou a capacidade de processamento do NCP 2 com os novos chips T9000 e Intel i860XP.
Ao longo dos anos de 1999 a 2004, a crescente disseminação das redes locais e expansão da Internet motivaram a equipe do COMPASSO a desenvolver as novas técnicas de streaming de vídeo (patenteadas no USPTO) Cooperative Video Cache (CVC) e Colapsed CVC que foram implementadas e testadas em dois protótipos de sistemas de VoD (Video on Demand) escaláveis (SMAD 1999-2000, REMAV-RJ) em laboratório de uma operadora de comunicações com até 2 mil clientes simulados. Nos anos seguintes (2004/07) foram construídos clusters, eficientes, confiáveis e portáveis com servidores de baixo custo para outras várias classes importantes de serviços WEB, em particular uma plataforma Java distribuída (cJava) com o padrão Tomcat/JOnAS (Java Open Application Server). Os protótipos foram testados em ambientes reais (SEMSAÇÃO).
A partir de 2005, sua equipe iniciou pesquisa, desenvolvimento e a integração de software para a construção de sistemas de distribuição escalável de VoD com acesso através de dispositivos sem fio com tecnologia WiFi atendendo a requisitos definidos de segurança e de qualidade de serviço (TRAVIS-QoS 2005/07), no projeto ORLA DIGITAL (2008/09), em parceria com a equipe do Laboratório RAVEL (Redes da Alta Velocidade) da COPPE a equipe do COMPASSO implantou a rede WiFi nos 4,6 Km da orla de Copacabana na qual o referido sistema de distribuição foi testado com sucesso.
Com o WEBE (2009/10), concomitantemente, iniciou-se a P&D em redes de sensores e redes móveis que cada vez mais estão presentes no cotidiano das pessoas e empresas, o que resultou em novas técnicas (2006/07) com patente concedida pelo USPTO à UFRJ em 2012. A equipe também desenvolveu a nova técnica D1HT (Distributed Hash Table) com baixa latência e pequena banda de manutenção para sistemas de arquivos de mais de 1 milhão de pares, com aplicações em centros HPC (High Performance Computing) e na Internet. Em 2009, o COMPASSO propôs e implementou em Linux o novo protocolo REPI para redes ad hoc centradas em interesses, ou RADNETs, facilitando o desenvolvimento de aplicações para redes móveis ad hoc. RadNetsedes podem ser construídas com smartphones (Android) e redes de sensores com Raspberry Pi (Debian) utilizando Wi‑Fi. Atualmente, o laboratório colabora com outros grupos de pesquisa nacionais no uso de Radnets em aplicações nas áreas de telemedicina, segurança, agricultura de precisão, redes veiculares e veículos aéreos não tripulados (VANTs), para citar algumas.
Com o projeto RSVP (2009/14), o laboratório levou a expertise de seus membros e colaboradores externos na área de HPC e Serviços Web Escaláveis para estudar os novos ambientes de Computação em Nuvem, especificamente os de IaaS (Infraestrutura como Serviço). No contexto desse projeto, sistemas de transmissão de VoD elásticos foram desenvolvidos, bem como novos mecanismos de temporização para sistemas computacionais baseados em processadores multicores, escalonamento de frequência e virtualização.
Atualmente a equipe do laboratório segue usando seus expertises na área de HPC em pesquisas voltadas para Computação na Nuvem desenvolvidas, especialmente estudando os problemas de avaliação da capacidade e desempenho de arquiteturas de IaaS para aplicações escaláveis e segurança desses ambientes